Pânico Silencioso

É tanto odio. Por tudo mas principalmente pela máscara que tenho de mostrar em frente daqueles que não posso magoar. Quer dizer, eu poderia magoar. Mas magoaria sem certezas de estar a ser correta, num padrão normal de um cidadão comum, com medo da rejeiçao total, com medo de me tornar em alguém que não quero ser.
É um odio e uma agonia intensa que me percorre a minha espinha e explode num dia inesperado, controlado, sozinha.
Eles sabem o que eu sinto e fingem nao saber.
E então eu odeio mais ainda, de maneira que mais nada explode nem acumula, nem há nada nem ninguém , nem eu.
Eu odeio e entristeço calmamente, sinto-me serena quase como se estivesse a voar, dentro de um espaço sem nada, com tons brancos e cintilantes, quase como o paraíso.
Posso perder-me que não me vou importar, posso sentir dor a penetrar dentro da carne, e mesmo que se solte algo físico em mim, nao me iria importar.
Posso perder a visão, a fala. Posso partir os espelhos todos em casa, pegar numa lata de tinta e pintar tudo o que houver da cor mais horrivel que existir.
Posso fazer isso tudo, mas não poderei dizer a ninguém que o vou fazer nem que o fiz.

Lúcia

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6 thoughts on “Pânico Silencioso

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